Fosse eu dada a escolha da vida nos carris,
Os devidos pontos nascidos nos i’s,
Não seria mulher para a abraçar.
Recusá-la-ia com a vontade que tenho
De viver em linhas tortas e confusas,
Concretizar paixões erráticas e difusas.
Deixei-me da textura meiga dos casacos de algodão
Que me aqueciam das paredes frias que a betão ergui,
Opus-me à mediania da vida
De manias humanas desisti.

Quero olhar para baixo,
Ter medo de cair e me magoar,
Ter todos os dias um coração novo
Para finalmente me sentir sangrar.

Quero enganar-me vezes sem conta
Quando amo sem sentido,
E todas essas vezes,
Chorar de coração partido.

O meu mar deixou-se de águas mornas,
Já só mergulho em água a gelar
Sou o medo de morrer,
Sou todos os alguéns que quiser ser,
E todas as vezes que serei capaz de amar.

Podemos chamar-lhe um novo começo? O dia em que me dispo de adornos, em que confio um pouco mais. Que venham de todas as maneiras e feitios as adversidades e os obstáculos. Do mesmo tamanho dos sonhos que prometi cumprir.

Até breve,
Sara